SORORIDADE X SOLIDARIEDADE

*Lorena Pacheco

As mulheres são ensinadas desde sempre a alimentar entre elas uma rivalidade que até pouco tempo, me parecia natural.

O conceito de “sororidade” nasce no movimento feminista no intuito de traduzir e impulsionar a solidariedade e afetividade entre as mulheres – compreendendo a universalidade do termo “mulheres”, sem os recortes necessários para demarcar os lugares de fala.

O processo de construção da terceira onda feminista que traz o discurso da “interseccionalidade” que quebra com a universalidade do termo “mulheres” e ao mesmo tempo injeta a pluralidade necessária para garantir os recortes essenciais para entender que as mulheres são mulheres, e não mulher.

Garantindo o debate da interseccionalidade e compreendendo o meu lugar de fala enquanto mulher negra, pobre, da periferia me proponho a construir o sentimento de sororidade todos os dias, aprendendo a olhar para todas as mulheres como minhas companheiras.

É uma construção árdua e requer uma vigilância constante. Mas as vezes me pego pensando se há limites para minha sororidade… E há.

Novamente reivindicando meu lugar de fala, sobretudo por ser negra e pobre, sinto que pelas vivências em comum é muito mais natural e fácil estabelecer o laço afetivo com outras mulheres negras e/ou de periferia.

Quando a identificação não vem através do recorte racial e de classe, quando se percebe os privilégios que essas ou aquelas mulheres possuem e que não estão dispostas a abrir mão/discutir… Fica tudo mais difícil.

Já é difícil carregar nos ombros o peso de sofrer com o preconceito de classe, com o racismo e machismo todos os dias e cobrar de nós, pretas, sororidade para com mulheres brancas racistas de mentalidade burguesa e classista que não discutem seus privilégios é cobrar de nós que, de certa forma, sejamos amáveis com nossos algozes.

Cruel.

Então, nessa reflexão profunda sobre o que é ser mulher e o que é ser mulher preta – o que nos une, o que nos separa – entendo a necessidade de romper com o patriarcado, mesmo que não seja através da sororidade. O que alimento pelas mulheres brancas de mente burguesa é solidariedade. Menos que sororidade, mais do que poderiam me pedir.

Solidariedade sim. Porque antes e apesar de tudo são mulheres. E pq apesar das diferenças, há algo que nos é comum: o patriarcado age contra nós. E lutaremos até que todas sejamos livres!
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* Lorena Pacheco, é graduanda no curso de Direito e Coordenadora Geral do Diretório Central dos e das Estudantes da UFBA – Gestão Mandacaru.

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